Camilla Martins
Camilla Martins, Desenvolvedora Thoughtworks

Copa do mundo #4: tecnologia alemã além do futebol

O quarto post da série Copa de Tecnologia vai falar da Alemanha. Ela mesma, que nos fez sofrer com o 7×1 na copa do mundo de 2014. Apesar de ter sido a campeã da copa no Brasil, a Alemanha não se classificou para as finais da copa na Rússia.

Mas nem só de futebol o país europeu entende. A Alemanha também é um grande polo tecnológico na Europa, além de ser conhecida por suas startups inovadoras e incentivos à jovens empreendedores.

Futebol e Tecnologia? Disso a Alemanha entende!

O segredo da Alemanha para vencer a copa do mundo em 2014 na verdade foi muito trabalho duro e uma arma secreta: tecnologia!

A seleção alemã contou com um software desenvolvido para SAP, a multinacional alemã que também tem sede no Brasil.

A SAP lançou o SAP Sports One, que ao longo do tempo se tornou algo muito maior. A parceria com a DFB (Deutscher Fußball-Bund ou Associação de Futebol Alemão, como nossa CBF aqui) fez com que o software pudesse, pela primeira vez, ser testado e reconhecido, se tornando um pioneiro no ramo.

O trabalho iniciou em 2013, o software começou a ser alimentado com dados e análises tanto dos treinamentos quanto das partidas oficiais, tendo informações da produtividade do time e de cada jogador individualmente. É como uma plataforma de ERP, na qual você acompanha tudo de perto e registra cada detalhe.

E tem que ser detalhe mesmo, viu? Foi percebendo como são úteis as tecnologias de Machine Learning e Inteligência Artificial que a equipe alemã (técnico, auxiliares e até mesmo o departamento médico) começou a levar cada vez mais a sério essa história de inserção de dados, para que tenham resultados mais precisos inclusive de tendências para as próximas partidas (tanto do time quanto adversário).

Então espera aí, quer dizer que foram os malditos robôs de Machine Learning que fizeram a nossa seleção ser goleada (eterno 7×1)?

Pois é, parece que sim!

Cada jogador recebe seus insights para “o que devo melhorar no próximo jogo” e o time tem uma previsão geral. Lembrando que a ferramenta retorna tudo o que o time precisa fazer para ganhar a partida em questão.

O técnico recebe em tempo real os dados de partida e jogadores, e a SAP estendeu seu software para versões mobile e algumas com foco maior em “entender os inimigos” (isto ainda em 2016).

Tudo isto para quê? Melhorar e simplificar processos. É muito melhor ter um software assim do que pegar na mão dado por dado de jogador, dado por dado de adversário, dado por dado de… aquele bla bla bla todo que já conhecemos. Inteligência Artificial e Machine Learning puro: quanto mais jogos e mais inserções de dados, a ferramenta fica mais enxuta e precisa para dar feedbacks, relatórios de partidas e a seleção alemã cada vez mais perigosa.

Foi assim então que a equipe alemã teve uma evolução histórica e bateu metas incríveis, como: Klose igualar o número de Ronaldo Fenômeno de gols em Copas do Mundo (16) e, obviamente, o tetra mundial.

E o que diz Christofer Clemens, dirigente de análise e captura de dados da DFB?

“É um passo lógico usar inovações tecnológicas – especialmente nos campos de análise de dados, inteligência artificial e machine learning – para simplificar e acelerar determinados processos. O uso das novas funcionalidades da solução SAP Sports One – cockpit de vídeo e painel de controle do jogador – permite que os analistas da partida preparem os treinadores e os jogadores de maneira ainda mais eficiente. Além disso, os jogadores recebem pacotes de informações sob medida para os próximos jogos.”

Acho que eles estão no mínimo, felizes, né? Realmente funciona. Não à toa, houve um boom de compras do SAP Sports One assim que a Alemanha foi tetracampeã do mundo. Foram 39 novas equipes (incluindo seleções) de 12 diferentes países que fizeram a aquisição do produto.

E em outro cenário? Ou será que a Alemanha só tem a SAP como empresa de tecnologia? Bom, a SAP não é qualquer uma: ela está em 15º no ranking da Forbes de empresas mais bem sucedidas em TI do mundo, numa lista entre 25 companhias. E será que ficará pra sempre solitária no ranking, ou teremos outras empresas alemãs também?

Berlim é uma prova de que a Alemanha produz cada vez mais empresas inovadoras e com potencial de mercado, no ranking das 30 empresas mais legais para se trabalhar em Berlim, há tanto empresas alemãs, quanto filiais de multinacionais, como o Google.

Mas o que sobra para os programadores e a computação? Bom, muitos times de desenvolvimento de empresas como Google ou Microsoft estão na Alemanha. Há filiais de diversas multinacionais por lá também.

Confira o cenário para quem quer seguir carreira na TI no mercado alemão de tecnologia:

Alemanha, o destino ideal para profissionais de tecnologia na Europa?

Os profissionais de TI brasileiros são desejados por toda a Europa e um dos destinos mais quentes é a Alemanha.O mercado de tecnologia continua aquecido em todo o mundo e, na Europa, o que se observa é o aumento de competitividade entre os países que lideram a lista de destinos atrativos a profissionais qualificados.

Segundo o relatório The State of European Tech 2017, França e Alemanha são hoje os principais rivais do até então dominante Reino Unido, na disputa por potenciais expatriados.
Além disso, Reino Unido e Alemanha passaram a ser vistos como os dois países europeus mais bem preparados para conquistar posições mundiais de liderança nos mais complexos campos da tecnologia.

Sem dúvidas, outro fator que contribuiu para posicionar a Alemanha entre os países mais desejados pelos profissionais de tecnologia foi o recente boom de investimentos em startups. Para se ter uma ideia, o atual estudo Start-up-Barometer Deutschland, da Ernst Young, revela que os investimentos em startups alemãs saltou 88% em 2017, atingindo 4,3 bilhões de euros – sendo deste montante 70% destinado somente para Berlim.

Com tamanha demanda por profissionais, a Alemanha acaba sendo uma possibilidade vantajosa aos cidadãos não-europeus, em decorrência de uma menor complexidade para candidaturas a vistos de trabalho ou residência.
Os profissionais qualificados e com experiência em áreas de grande demanda, como é o caso de Ciências Exatas, Tecnologia ou Engenharias podem concorrer ao menos a três tipos de visto:

  • Visto de Trabalho;
  • Blue Card;
  • O Visto de Procura de Vaga de Emprego.

Os dois primeiros, em todo caso, exigirão claros requisitos como formação superior e salário dentro do previsto na lei para a obtenção dessas permissões. Já a terceira opção dá ao profissional a chance de procurar por uma oportunidade in loco, provendo permanência de moradia com duração de seis meses.

Os detalhes para todas as opções de visto podem ser encontrados no portal oficial Make it in Germany.

Iniciando a busca por empregos

Para quem deseja iniciar a busca por empregos na Alemanha, alguns famosos portais para vagas no setor são, por exemplo o Germany Startup Jobs e o Xing – lembrando que, para ambos, existe a possibilidade de filtrar empregos em tecnologia que não exigem fluência no alemão, já que muitas empresas adotam o inglês como língua oficial da companhia.

Acompanhe a seguir uma relação de empresas contratando profissionais para atuar em Berlim. Todas possuem um time multicultural e presença em diversos países, algumas inclusive no Brasil:

UmSóLugar – vitrine virtual brasileira operada pela empresa alemã Visual Meta. Presente em 14 países;
Delivery Hero – empresa online para entrega de comida. Presente em mais de 40 países;
Hello Fresh – empresa online para entrega de alimentos frescos. Presente em 9 países (também com vagas em outras cidades/países);
Home24 – é a maior loja de móveis online da Europa e também opera no Brasil sob o nome de Mobly.

Mercado atrativo para investidores estrangeiros

A capital da Alemanha vem se esforçando para se tornar também o principal ecossistema de startups da Europa. Segundo o relatório “Startup Ecosystem Report 2017”, do Startup Genome, hoje é o 2º melhor ecossistema do continente, atrás apenas de Londres.

Berlim tem entre 1.800 e 2.400 startups tecnológicas ativas, sendo, depois do Vale do Silício, a cidade com o maior número de startups estrangeiras. Por isso, a cidade é considerada um dos mais inclusivos e diversificados ecossistemas do mundo, em grande parte devido à sua capacidade de atrair talentos internacionais, com custo de vida relativamente acessível e ambiente amigável para imigrantes.

Na Alemanha há uma grande quantidade de iniciativas para incrementar o fluxo bilateral de tecnologia e inovação por meio do intercâmbio de startups. Uma delas é a da Berlin Partner, instituição público-privada de Berlim que apoia empresas, investidores e institutos de inovação na abertura, inovação e expansão em Berlim por meio de uma rede ativa e de programas de apoio. Há ainda o Adlershof, um dos principais parques tecnológicos da Alemanha e que abriga mais de mil empresas e instituições de pesquisa. Para as startups, o parque oferece desde espaço de co-working a matchmaking de negócios.

A Alemanha oferece uma boa infraestrutura e muitas oportunidades de fomento para startups. Berlim é até mesmo considerada a capital dos fundadores de empresas e atrai muitos empresários jovens internacionais. Berlim, o “Vale do Silício europeu”, é multicultural, fala inglês e busca atrair cada vez mais startups do mundo todo. Profissionais dão recomendações para quem quer abrir uma frente de negócios na cidade.

Mas o que é preciso?
Ter uma estratégia definida é o primeiro passo. É preciso que o objetivo de internacionalização da startup esteja muito claro. É inovação? Posicionamento da marca? O passo seguinte é o conhecimento de mercado, dos concorrentes. A matemática é fundamental para saber se a operação no país fica de pé.

Buscar informações com quem conhece muito bem o território e incentiva a mudança seria a próxima fase.

Para quem chega sozinho sentir como será a acolhida, a dica é procurar um espaço de coworking. Em Berlim existem dezenas, um dos mais conhecidos é St. Oberholz. Muita história de sucesso começou lá, no segundo andar.

Os espaços de coworking estão cheios de criadores independentes, aceleradoras de startups e laboratórios de grandes empresas que não querem ficar pra trás no cenário da inovação.

A vantagem de ter uma empresa aberta em Berlim é o acesso às linhas créditos. O empreendedor poderá se candidatar não apenas a programas de financiamento específicos dos bancos, mas também a iniciativas da União Europeia, como o Horizon 2020, e dos governos federal e local. O ProFIT, por exemplo, financia até 80% de projetos inovadores que demonstrem a capacidade de aumentar a competitividade da empresa.

Startups Connected

A iniciativa Startups Connected foi criada pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha de São Paulo em 2016, a fim de promover a aproximação entre suas empresas associadas e startups do Brasil e Alemanha, assim como entre o ecossistema de startups dos dois países.

O programa está em sua 3ª edição e as inscrições estão abertas até o final do mês. A iniciativa centraliza todas as ações da Câmara Brasil-Alemanha direcionadas a startups, entre elas, o Prêmio e o Programa de Aceleração Startups Connected, assim como o encontro de negócios Startup Speed Dating e a associação exclusiva para startups.

As dez startups mais criativas da Alemanha

– O ARYA foi criado por Kristina Wilms em parceria com terapeutas alemães e holandeses. Inspirada pela sua experiência com a depressão, Kristina quer melhorar a relação entre tecnologia e medicina. O app permite que o paciente faça atualizações diárias que são enviadas para o sistema do terapeuta, além de manter uma lista de contatos de amigos para eventuais confrontos de emergência.

– A Bluespots é uma produtora de teatro que facilita estruturas interativas para espetáculos. Com mais de 25 peças no currículo desde 2012, o grupo cria plataformas multimídia para usar no palco e promove conteúdo que envolva tecnologia no teatro, com espetáculos sobre Tetris e experimentações com novas mídias.

– A Nat-2 era um dos cases que mais atraia curiosos. Startup de Munique, a empresa produz tênis que imitam cores metálicas e inspirações holográficas. Além de sneakers com zíper que se transformam em até quatro opções de calçados.

– Um dos projetos mais interessantes envolvendo jornalismo, o Follow the Money é um experimento de comunicação que une crowdfunding, Twitter e reportagens investigavas sobre desvio de verba. Com transparência e perguntas simples (algumas enviadas pelos leitores em 140 caracteres), eles procuram o caminho do dinheiro de atividades econômicas duvidosas.

– O Get An Edge é um app que permite criar projeções e video mapping de forma prática no tablet ou no celular e em alta resolução.

– De Frankfurt, Philomena Holtkmeier estudou em Los Angeles e hoje presta consultoria para escritores, redatores e marcas ou produtoras que querem contar uma boa história. É uma saída interessante para escritores que querem vender serviços.

– De Berlim, o Room In A Box é inspirados pela necessidade de mobilidade de uma geração que se muda muito. Eles são um grupo de designers de produto que cria móveis de papelão dobráveis e que cabem em qualquer lugar com preços a partir de 28 euros. Além de design caprichado, as peças são pensadas para aguentar bastante peso.

– A Floid cria móveis com shapes de skate reciclados. O projeto de design de produto é dedicado a entusiastas das rodinhas.

– De Hamburgo, a empresa de conteúdo Fail Better Media (com um nome quem vem bem a calhar), cria infográficos, material em áudio, slideshows, graphic novels e conteúdo jornalístico pago para a internet. “Para nós a transformação digital é uma história de transformação e não de perda.”

– É inspirador ver a quantidade de material didático que as crianças têm disponível para crescer e se desenvolver intelectualmente. A Urbn Pockets é uma versão digital interessante dessa experiência.

 

Tem uma história legal sobre uma experiência de trabalho na Alemanha? Então conta pra gente!

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