Jéssica Beltrame
Jéssica Beltrame, Content Analyst Umbler

Empreendedorismo e inovação: O mercado de startups

A crise econômica brasileira não é novidade para ninguém e tem deixado muito empreendedor com receio de investir em novos negócios, principalmente os recém-chegados ao mercado. O repertório de incertezas é vasto: Terei espaço para vender minha solução neste cenário? Os investidores vão continuar injetando dinheiro em startups? Há como inovar em meio a crise?

Se você está lendo este artigo, tem grandes chances de também ter sido contaminado por um forte desejo que têm dominado muitos. Num cenário no qual, grande parte das novas gerações afirma que pretendem empreender num futuro próximo, fica difícil não conhecer alguém que empreenda ou que ao menos tenha isso como meta de vida. O desejo de empreender é motivado principalmente pela autonomia para tomar decisões, flexibilidade de horário e criação com sentimento de pertencimento ao negócio e o desejo de realização e reconhecimento.

Por que apostar em Startups?

Empreender é uma tendência que veio para ficar, disso não temos dúvida. Startups costumam sair sempre à frente de empresas mais tradicionais. Em partes, por sua cultura mais maleável. Além disso, pela coragem de arriscar de quem está à frente delas.

O cenário das startups no Brasil evidencia duas realidades completamente distintas: o ambiente desfavorável para o empreendedorismo e um crescimento significativo do setor. A ABStartups (Associação Brasileira de Startups), que em 2012 reunia pouco mais de 2,5 mil associadas, hoje conta com mais de 4,2 mil empresas do tipo. No total, o Brasil tem mais de 10 mil startups, movimentando bilhões.

Os números ainda são tímidos se comparados com o cenário dos Estados Unidos e da Europa, mas o crescente volume de capital disponível para investimentos e o de profissionais qualificados dispostos a empreender, apontam na direção de um crescimento contínuo.

Uma característica marcante dessas empresas é o perfil técnico dos seus fundadores que, em sua maioria, possuem formação em TI, engenharia, física, química, biotecnologia e outras áreas semelhantes. Esse perfil técnico favorece o foco em desenvolvimento de produto no lugar de se voltarem para o mercado.

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), O Brasil teve um crescimento de 21,5% em relação a 2016, no Mercado de TIC (Hardware, Software e Serviços) em 2017, ocupando o 6º lugar no ranking dos países do setor. O mercado de tecnologia é favorável também na geração de emprego e renda. A partir de 2017 os setores de Software, Serviços e Indústria entraram em trajetória de crescimento do seu estoque de empregos. Até fevereiro de 2018, o setor gerou 6 mil postos de trabalho, variação positiva de 0,8% em relação ao ano anterior.

Dados setoriais de 2017, divulgados pela Brasscom, mostram que, no ano passado, o segmento de nuvem foi um dos que mais cresceu no país, com 51,7%, e chegou a uma receita de R$ 4,4 bilhões. Nos próximos quatro anos – 2018 a 2021 – a nuvem pública tem um impulso projetado em 27% ao ano, com infraestrutura como serviço chegando a R$ 12,4 bilhões, software como serviço a R$ 12,3 bilhões e Plataforma como serviço, a R$ 4,3 bilhões.

As empresas de TICs, que incluem os provedores de TI e Comunicações e a produção in house, como as dos grandes bancos e centros de serviços, hardware, software e nuvem, produziram no ano passado R$ 467,5 bilhões. O crescimento do segmento chegou a 9,9% – em 2016, o setor cresceu apenas 0,4%, com a geração de 1,4 milhão de empregos. Os números mostram que TI e Comunicações, reunidas, produziram R$ 195,7 bilhões. Já a soma de TI com TI in house chegou a R$ R$ 238,9 bilhões.

O levantamento mostrou ainda que os investimentos em transformação digital, como Internet das Coisas, Big Data, Analytics, Inteligência Artificial e Segurança da Informação, para o período 2018 a 2021, são projetados em R$ 249,5 bilhões, com Internet das coisas liderando os aportes com R$ 169,7 bilhões, um impulso de 27%.

Qual a definição de uma startup?

Uma startup é uma empresa diferente de uma empresa tradicional porque ela utiliza, geralmente, tecnologia e modelos de negócio diferenciados, que fazem com que ela cresça numa velocidade muito acima de uma velocidade normal de mercado. Enquanto uma empresa tradicional cresce 10%, 20% ao ano, uma startup tem um crescimento de mais de 200% ao ano. Isso porque ela usa modelos inovadores para vender e comercializar esse produto.

Startup é um termo que vem crescendo no Brasil e é cada vez mais frequente nas mídias, eventos e ambiente organizacional. Mas o que é exatamente startup? Startup é uma empresa que tem o modelo de negócio repetível e escalável, com alto poder de crescimento.

Como obter financiamento para sua startup?

Mercado, necessidades e disposição para pagar pela solução são alguns dos questionamentos que devem ser feitos antes de obter um financiamento. Startup é uma empresa nova, que conta com projetos promissores, ligados à pesquisa, investigação e desenvolvimento de ideias inovadoras.

Possui risco envolvido no negócio, tem baixos custos iniciais e expectativa de crescimento grande. Normalmente de base tecnológica, tem espírito empreendedor e constante busca por modelo de negócio inovador. O capital usado, além do próprio dinheiro do empreendedor, pode vir de diferentes fontes, segundo lista o Sebrae:

  • Investidor-anjo: especializado em apoiar projetos em fase inicial. Experientes, bem-sucedidos, confiantes e entendem as tendências e oportunidades do mercado, tem envolvimento direto que acontece de fato por meio do contrato societário. O papel do anjo é ajudar o empreendedor, fazendo a empresa dar certo, mas o dinheiro do investidor-anjo (ou sócio investidor) não vai resolver tudo.
  • Capital semente: momento inicial em que o investidor-anjo investe na empresa dinheiro suficiente, pois o objetivo é vender sem perder de vista o respeito ao meio ambiente e à sociedade.
  • Venture capital: modalidade de financiamento de empresas, em troca de participação societária, implicando em responsabilidades conjuntas para investidores e empreendedores. Aplicam recursos em startups que já tenham testado seus produtos e estão prontas para crescer, traz à empresa os sócios investidores.
  • Investimento coletivo (crowdfunding): o objetivo é reunir diversas pessoas que possam colaborar com pequenas quantias e, assim, viabilizar uma ideia, um negócio ou um projeto, recebendo, ou não, uma contrapartida por isto. É uma forma rápida e relativamente simples de captar valores para a execução de uma ideia ou projeto de apelo popular, com uma baixa contrapartida.
  • Subvenções, editais e bolsas: incentivos fiscais (facilitação ou isenção do pagamento de impostos) fornecidos pela prefeitura, ou ainda editais públicos.

As startups unicórnios

O termo unicórnio é usado para se referir às startups que valem mais de 1 bilhão de dólares, sendo referência no mercado. É um feito para uma startup alcançar avaliação acima de US$ 1 bilhão em qualquer lugar do mundo. E, até agora, só duas startups brasileiras tinham conseguido: o aplicativo de transporte 99 e a plataforma de pagamentos PagSeguro. O Nubank é a terceira a entrar para o clube dos chamados “unicórnios”. Há também outras ótimas candidatas ao posto, dentre elas a Movile, PSafe, Netshoes e Hub Prepaid, também estão na lista de empresas promissoras à virarem unicórnio.

Estas candidatas conseguiram atrair os principais fundos de investimento do mundo ou possuem parceiros de peso, como a Sequoia, que também apoiou outras iniciativas: Apple, Google, Instagram, WhatsApp e YouTube. Quem também já apostou no setor foi o visionário Jorge Paulo Lemann, dono da Ambev e homem mais rico do Brasil atualmente.

Google e Apple são hoje conhecidas popularmente por todos nós, mas na cola dessas consolidadas marcas estão as atuais expoentes do Clube dos Unicórnios: Uber, Airbnb, Snapchat, Dropbox, Pinterest, Spotify e outras bem menos conhecidas.

A história dessas startups parecem lenda. São empresas que começaram pequenas, mas que com algo de fantástico em suas propostas impactaram o mundo. As startups unicórnio que marcaram as décadas passadas, nasceram integradas em ondas de inovação tecnológicas: a Apple, com a criação do computador pessoal; a Google com a generalização do acesso à Internet e o Facebook, com o boom das redes sociais.

A PitchBook, companhia de software e análise de dados financeiros, com sede em Seattle, Estados Unidos, decidiu acompanhar as startups bilionárias. Elaborou, para isso, uma lista com aquelas que superaram o valor de mercado de US$ 1 bilhão. A companhia esqueceu, no entanto, de incluir a brasileira 99.

Confira os unicórnios na lista da PitchBook:

Canva
Sede: Surry Hills, Austrália
Unicórnio desde: 08/01
Investimento levantado:US$ 96 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1 bilhão
O que faz: plataforma para desenvolvimento de design gráfico online

Meicai
Sede: Pequim, China
Unicórnio desde: 11/01
​Investimento levantado: US$ 477 milhões
Valor de mercado atual: US$ 2,8 bilhões
O que faz: plataforma de e-commerce que conecta agricultores a restaurantes

Caocao
Sede: Hangzhou, China
Unicórnio desde: 17/01
​Investimento levantado: US$ 380 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1,6 bilhão
O que faz: serviço de oferta de carros para viagens curtas, turismo e aluguel

Cabify
Sede: Madrid, Espanha
Unicórnio desde: 22/01
​Investimento levantado: US$ 410 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1,4 bilhão
O que faz: serviço de transporte por demanda

Snowflake
Sede: San Mateo, Estados Unidos
Unicórnio desde: 25/01
​Investimento levantado: US$ 473 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1,8 bilhão
O que faz: plataforma de armazenamento de dados em nuvem que permite análise das informações

HeartFlow
Sede: Redwood City, Estados Unidos
Unicórnio desde: 14/02
​Investimento levantado: US$ 467 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1,5 bilhão
O que faz: tecnologias médicas personalizadas para saúde cardiovascular

MedMen
Sede: Culver City, Estados Unidos
Unicórnio desde: 14/02
​Investimento levantado: US$ 57 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1 bilhão
O que faz: varejista de maconha

OrCam
Sede: Jerusalém, Israel
Unicórnio desde: 20/02
​Investimento levantado: US$ 91 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1 bilhão
O que faz: dispositivo de visão artificial remoto para auxiliar cegos a identificar objetos e entender textos

DoorDash
Sede: San Francisco, Estados Unidos
Unicórnio desde: 01/03
​Investimento levantado: US$ 722 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1,4 bilhão
O que faz: aplicativo para entrega de comida por demanda

Nubank
Sede: São Paulo, Brasil
Unicórnio desde: 01/03
​Investimento levantado: US$ 329 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1 bilhão
O que faz: cartão de crédito digital e serviços financeiros online

UiPath
Sede: Nova York, Estados Unidos
Unicórnio desde: 02/03
​Investimento levantado: US$ 149 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1,1 bilhão
O que faz: software de automação de processos robóticos para aumento de performance de produção

Douyu
Sede: Wuhan, China
Unicórnio desde: 08/03
​Investimento levantado: US$ 1,1 bilhão
Valor de mercado atual: US$ 1,5 bilhão
O que faz: plataforma de vídeos ao vivo que permite compartilhamento e adicionar comentários

Qutoutiao
Sede: Shanghai, China
Unicórnio desde: 15/03
​Investimento levantado: US$ 100 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1,4 bilhão
O que faz: Aplicativo de notícias e entretenimento

Samsara
Sede: San Francisco, Estados Unidos
Unicórnio desde: 22/03
​Investimento levantado: US$ 130 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1,4 bilhão
O que faz: sistema de sensores sem fio em larga escala para facilitar a análise de dados

Tempus
Sede: Chicago, Estados Unidos
Unicórnio desde: 23/03
​Investimento levantado: US$ 158 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1,1 bilhão
O que faz: plataforma de análise de dados sobre a saúde dos pacientes para impusionar seus resultados

Intercom
Sede: San Francisco, Estados Unidos
Unicórnio desde: 27/03
​Investimento levantado: US$ 240 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1,3 bilhão
O que faz: plataforma de mensagens para ajudar negócios a conversar com consumidores

Youxia
Sede: Shanghai, China
Unicórnio desde: 31/03
​Investimento levantado: US$ 975 milhões
Valor de mercado atual: US$ 1,9 bilhão
O que faz: produção de carros elétricos inteligentes

Ainda tem dúvidas se vale a pena investir no mercado de Startups? Vinte e cinco membros da lista de bilionários da FORBES em 2016 ganharam suas fortunas via startups unicórnio. Dezoito desses nomes têm menos de 40 anos e a média de idade deste grupo é de 36 anos.

Mas para ter sucesso, é preciso ficar atento também a características importantes que startups unicórnios têm em comum:

Diversidade

Uma empresa munida de multi-interpretações e de indivíduos que buscam os mesmos objetivos, mas com mais abertura e visões que se diferem podem colaborar muito para que as startups cresçam e se desenvolvam. Nessa mesma linha, acessibilidade não pode deixar de ser levada em conta. Este conceito já ganhou importância há alguns anos e vem com mais força ainda. Essa tendência é tão forte que pode ser abrangida até mesmo para empresas de cultura mais fechada. Visões diferentes para uma mesma questão promovem uma solução aceita por públicos diversos.

Criatividade

Problemas fazem parte do cotidiano de uma empresa. O que vai fazer diferença em seus resultados é sua forma de contorná-los. Independentemente do tamanho do dilema. Soluções inovadoras é que vão levar startups ao sucesso.

 

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