Jéssica Beltrame
Jéssica Beltrame, Content Analyst Umbler

Diversidade no ambiente de trabalho

Segundo o dicionário, a diversidade está ligada aos conceitos de diferença, oposição, pluralidade, multiplicidade, diferentes ângulos de visão ou de abordagem, heterogeneidade, comunhão de contrários, intersecção de diferenças ou tolerância mútua. Diversidade significa variedade, pluralidade, diferença. É um substantivo feminino que caracteriza tudo que é diverso, que tem multiplicidade. Diversidade é a reunião de tudo aquilo que apresenta múltiplos aspectos e que se diferenciam entre si.

A definição de diversidade pode ser entendida como o conjunto de diferenças e valores compartilhados pelos seres humanos na vida social. Este conceito está intimamente ligado aos conceitos de pluralidade, multiplicidade, diferentes modos de percepção e abordagem, heterogeneidade e variedade.

O que significa a diversidade no ambiente de trabalho?

Toda empresa tem um papel social importante, não é mesmo? Em uma sociedade com tamanha multiplicidade cultural, é importante que as organizações desenvolvam uma postura madura para encarar as diferenças. A diversidade no ambiente de trabalho é um fator que merece bastante atenção e que pode gerar uma série benefícios, se você desenvolver uma boa abordagem da questão.

Nossa sociedade é altamente diversificada. São várias etnias, pessoas com deficiência, grupos LGBTQ, homens e mulheres. Assim, não é possível fechar os olhos para essas variedades. É preciso aceitar os profissionais como eles são e favorecer o aprendizado com as diferenças.

A diversidade no ambiente de trabalho significa o desenvolvimento, por parte da organização, de uma postura madura diante da pluralidade da nossa sociedade. Isso significa acolher os colaboradores nas suas diferenças e apoiar a inclusão e a tolerância com as multiplicidades culturais.

Qual a importância da diversidade nas organizações?

A diversidade no ambiente de trabalho é um fator que traz uma série de benefícios:

Alcance de melhores resultados

A diversidade nas organizações contribui para que a equipe alcance resultados mais positivos. Isso acontece porque o ambiente de trabalho é cooperativo, estimulante e acolhedor. Assim, os colaboradores se sentem mais motivados e engajados para realizarem suas atividades.

Com a melhor qualidade de vida da equipe, todos trabalham melhor e com mais efetividade. Esses fatores contribuem para que os resultados sejam melhores na corporação. Com essas consequências benéficas, a equipe fica mais estimulada, gerando um ciclo positivo no negócio.

Redução dos conflitos

Em organizações em que há uma cultura de respeito à diversidade, os conflitos são bem menos recorrentes. Como há uma política de boa convivência entre as diferenças, os colegas de trabalho podem ter mais facilidade para lidar com divergências entre eles. A política de respeito e tolerância estimula a capacidade de escuta e de buscar acordos dos profissionais.

Dessa forma, diferenças de opinião não desencadeiam em desentendimentos, rompimentos ou atritos. Elas são estímulos para a formação de uma construção cooperativa e para a busca de um consenso.

Diminuição da rotatividade

Quando há muita exclusão na equipe devido às dificuldades de convivência com diferenças, é comum acontecerem desligamentos da empresa. Às vezes, por não suportarem a dinâmica de segregação entre os colegas, alguns membros do time preferem sair do emprego. Esse processo é muito problemático. Equipes intolerantes tendem a ter um alto índice de rotatividade porque os profissionais não dão conta da exclusão.

Com um grupo diversificado e que acolhe as diferenças, os colaboradores se sentem mais seguros e acolhidos. Isso contribui para a cooperatividade e o senso de pertencimento. Assim, o turnover é bem menor na companhia.

Aumento da criatividade no ambiente

Em um ambiente que valoriza a diferença e que coloca a diversidade como um elemento que acrescenta para o negócio, os colaboradores sentem que têm mais liberdade para ter autenticidade e genuinidade no trabalho. Esse fator contribui para que haja mais originalidade na produção.

Além disso, o ambiente diversificado propicia condições para que novas ideias circulem entre os membros do time. Os profissionais ficam mais engajados e criativos, prontos para liberarem os seus potenciais.

Melhoria da imagem da empresa

Uma corporação que valoriza a diversidade está cumprindo com seu papel social. Isso contribui para que a organização seja bem-vista. Afinal, é uma postura de responsabilidade para com a sociedade.

Além disso, o aprendizado sobre a multiplicidade que os colaboradores têm na companhia é difundido no meio social pelos próprios profissionais. Quando vão para outros espaços, eles reproduzem os comportamentos de tolerância aprendidos no trabalho. Com isso, se tornam exemplos para as outras pessoas.

Histórias inspiradoras

Leco Vilela

Leco Vilela

Head of Strategic Planning na to.do Comunicação

@lecovilela

– Como é ser gay e líder de uma grande equipe, de uma empresa de tecnologia?

“Ser líder, gerir pessoas e talentos, é algo complicado e com inúmeras variáveis. Não se trata só de planilha, embora tenha muitas (rs), afinal o fator humano é a nossa principal matéria-prima. Quando se faz parte de uma minoria social, as coisas complicam mais ainda. Em uma sociedade machista, como a que vivemos, é muito comum ter pessoas que não reconhecem a sua liderança e por não entender tentam a todo custo te desempoderar. E não, não estou falando de grandes vilões de novela, como o jornalista Kleber de “Insensato Coração”, ou o Alto Pardal de “Game of Thrones”, são pessoas comuns, que muitas vezes nem percebem as atitudes homofóbicas no seu dia a dia. Como líder, é muito importante saber se relacionar com pessoas homofóbicas, e eu não estou dizendo que é fácil, pois não é! Mas convivência pacífica pode ser uma grande aliada no processo de assimilação de minorias em espaços corporativos”.

– Você já passou por situações constrangedoras no ambiente profissional?

“Estaria mentindo se dissesse que não. Aqui é importante entender que nem todo ato homofóbico envolve agressões físicas e/ou verbais, muitas vezes o ataque é psicológico e em forma de micro agressões. Por exemplo, diversas vezes peguei pessoas do meu time ou de outros times da empresa imitando minha voz e meus trejeitos, afeminando minhas falas, etc. Tive minhas recomendações profissionais desqualificadas em público com o argumento de que eu não entendi 100% o target, que era formado por héteros. Porém, na hora de fazer comercial sobre diversidade, os héteros todos sabem do que falar, não é mesmo? Chegar em cargos de liderança sendo gay e vindo da periferia não foi uma tarefa fácil, mas fico feliz por usar exercícios como a Caminhada dos Privilégios para mostrar a todos como o sistema meritocrático é tóxico e cria a ilusão de igualdade, quando na verdade algumas pessoas começam na frente na fila da corrida”.

– Você já sofreu preconceito de colegas de trabalho ou de chefes?

“Como comentei na pergunta anterior, sim já passei por situações de preconceito ao longo da minha carreira, e não só sobre minha sexualidade, mas também por conta do meu cabelo, por exemplo. Um superior uma vez me disse que meu cabelo ficava melhor raspado, insinuando que eu deveria cortá-lo – meu cabelo é cacheado e volumoso. Essa ideia de normalidade está tão intrínseca na nossa sociedade que a maioria das pessoas não percebe quando reproduzem preconceitos. Já cansei de contar quantas vezes eu propus uma solução para um problema, e por meses fui ignorado, mas ao entrar um novo membro no time, hétero e homem, que dava a mesma ideia, tinha a sua voz ouvida de imediato. Por isso, um ambiente diverso é tão importante! Educar e criar referência além de heteronormatividade branca é fundamental para uma cultura rica, produtiva e mais empática”.

– Você tem uma história que gostaria de contar?

“Acho que já contei vários histórias, né? =P De qualquer forma, acho importante que essas histórias sejam compartilhadas, pois não é só uma questão de ser “vítima” de homofobia ou de outros tipos de preconceito, é sobre mostrar comportamentos tóxicos que se perpetuam na nossa sociedade e pontuar as mudanças necessárias para se adaptar à nova realidade, globalizada e multicultural. Ah, é importante dizer que isso incluí “piadinhas”, afinal, suas definições de senso de humor deveriam ser atualizadas”.

– Qual a ‘dica’ você daria para pessoas de “minorias”?

“Não é fácil viver num mundo corporativo, que repete comportamentos preconceituosos, não vou mentir. Mas ser resiliente é necessário, pois faz parte do processo de mudança. Ao entrar nesse mundo, você não é só um funcionário, você se torna uma referência para quem vem atrás, um ponto de chegada para os mais novos, para que eles saibam que podem ir muito além e que a vida deles não está restrita apenas a algumas esferas profissionais. Converse com semelhantes, pessoas que entendam a sua dor, procure grupos de apoio. Eu, por exemplo, acabei de entrar no GAMES – Government Affairs, Media, Entrepreneurs & Supporters, em conjunto com o Gay Games, afim de interagir com outros líderes, que como eu, são LGBTQs e sabem como é trabalhoso chegar onde chegamos. Quem sabe, no futuro, seja possível tornar esse caminho menos árduo para outras minorias”.

 

Ash

Ash

PO community na Umbler

@ayswarrya

– Como é ser estrangeira e líder de uma grande equipe de uma empresa de tecnologia?

“Liderança nunca é fácil. Você é responsável, não somente pelas suas metas ou entregas, mas pelas pessoas e as suas vidas profissionais. Tudo que você faz impacta a sua equipe. Às vezes você nem sabe, nem se liga com como você impactou algo ou alguém, mas o fato é que isso acontece e é um grande peso nas suas costas, uma grande responsabilidade.

With great power, comes great responsibility.

Os melhores e piores dias como uma líder que me deixaram cansada não foram por causa das tarefas que eu terminei, mas por causa das conversas e interações que eu tive. O lado bom disso é saber que você consegue acelerar a carreira das pessoas e ajudá-las a melhorar os seus skills e habilidades. O lado ruim é que você sempre deve cuidar de tudo que você faz e fala e a maneira como você se expressa. Não estou dizendo que comecem a se preocupar com como você será percebida, mas prestem atenção em como você comunica, isso é crucial.

Citando isso, você talvez tenha uma ideia de o quão difícil isso é se você for uma líder estrangeira, onde a cultura e o idioma já são barreiras significativas e pesadas. O que facilita a minha vida é ser extremamente honesta com todos, mostrar respeito para todos e incorporar isso na maneira de conversar, pedir ajuda nos casos onde fica difícil se expressar, e não desistir se as pessoas não te entendem na primeira tentativa. Try and try again, until you succeed”.

– Você já passou por situações constrangedoras no ambiente profissional?

“Muitas vezes. Faz parte da vida dos expatriados. Lembro que nos meus primeiras dias aqui fiquei bem desconfortável com o costume de cumprimentar as pessoas – principalmente homens que não conhecia – com abraços e beijos. Eu nunca sabia se a pessoa iria abraçar primeiro, ou dar um beijo na bochecha, ou talvez teria uma outra maneira de cumprimentar, já que cada um tem o seu jeito. Passei um bom tempo sabendo como lidar com isso sem tornar a situação estranha para todos. Mas ainda prefiro cuprimentar com o aperto de mão. 😛

Outras situações constrangedoras geralmente envolvem o uso da palavra errada – false friends – nas conversas do dia a dia com meus colegas. Nesses casos, eles tiravam sarro de mim no começo, mas depois disso me ajudavam. Nem todos tiveram este comportamento, a grande maioria sempre foi muito gentil comigo e ajudou muito. Anteriormente isso me deixava com bastante medo de não cometer erros. Eu ficava pensando demais para não ser (ou melhor, não parecer) uma boba. Mas com tempo já me acostumei a não pensar demais. Também parei de pensar no que os outros pensam de mim. Aprendi que errar e aprender com os seus erros é melhor (e, às vezes, o jeito mais rápido de aprender) que pensar demais e se estressar sobre tudo. Também aprendi uma lição super importante da vida: não se leve tão sério. Às vezes, é necessário pegar leve e não pensar demais”.

– Você já sofreu preconceito de colegas de trabalho ou de chefes?

“Sim. É triste isso, mas não conheço ninguém que não passou por algum tipo de preconceito – a maioria foi não intencional, mas isso não justifica a situação.
Existem dois tipos, os que são deliberados, e os outros que não são. Muitas vezes, é algo que pessoas fazem e não se dão conta, é comportamento de alguém preconceituoso. E, nesses casos, a solução é simples: falem para a pessoa sobre a ação dela, expliquem como isso foi algo preconceituoso, como isso te deixou ofendida, e como a pessoa pode mudar isso.

Quais são essas? Vou contar alguns casos da minha experiência profissional:

  1. Houve momentos em que como eu era a única mulher na sala, os outros já automaticamente passavam a responsabilidade de fazer anotações para mim. No momento que eu anotava, os outros ficavam me corrigindo e re-explicando tudo. Talvez eu não entendi o que rolou na reunião, e um deles simplificando tudo ajudaria o meu entendimento.
  2. Momentos quando eu falava uma ideia e ninguém acionava, mas logo depois uma outra pessoa (geralmente um homem branco) vinha dizer como ele teve uma ideia muito interessante e todos elogiavam essa pessoa como um gênio.
  3. Momentos quando eu falava algo, e logo depois uma outra pessoa (também geralmente um homem branco) repetia tudo que eu falei, algo assim –
    o que ela quis dizer é isso … (e às vezes a pessoa nem espera, me interrompe e começa falar)
    re-explicando o que eu comentei porque não ficou claro para os outros e eu não tinha essa capacidade de tornar a explicação mais simples.

Eu posso continuar citando os casos, os incidentes, as histórias. Isso não é nada novo. Muitas outras mulheres que eu conheço passaram por situações parecidas. São situações onde você se frustra, você sente inútil, impotente, decepcionada, pensando que nunca vai mudar nada, que o sistema funciona assim. Eu era assim também, mas percebi que esses pensamentos negativos não estavam resolvendo nada, apenas contribuindo a minha miséria.

Aí vem outra lição mais importante da vida – se algo incomoda você, é você que deve tomar uma ação. Reclamações e auto-piedade nunca resolveram nada, e nunca vão. Da próxima vez que alguém pediu para eu fazer as anotações, eu disse não. Simples assim.

Quando eu queria apresentar algo no que eu acreditava muito, eu fazia pesquisas bem feita com números, fatos, dados, e projeções, pensando em todas as perguntas possíveis que seriam levantadas. Se a ideia fosse rejeitada pela primeira vez, eu não desistiria, continuaria defendendo a ideia com argumentos lógicos e orientado a dados.

Quando alguém fosse me interromper, eu não parava de falar, deixava claro para a pessoa que eu gostaria de terminar antes de ela falar, e a pessoa entendia.
Todas essas experiências me ensinaram ser uma pessoa que faz pesquisas e análises bem feitas, uma pessoa que sempre baseia as seus insights nos dados e números, uma pessoa que consegue negociar bem. Todas essas são skills indispensáveis no mundo de negócios, principalmente para as mulheres. Hoje as coisas são diferentes. Se você está passando por algo parecido, tenho um pedido para você: acredite em si, fale mais, lute mais pelas suas ideias e defenda mais as suas ideias boas. É bom ser humilde, é bom não ser arrogante, é bom ser gentil, mas isso não significa que você não deve atribuir seu sucesso a seus próprios talentos e skills. Se tiver oportunidade, defenda, antes que seja tarde demais. Fight for whats yours and don’t give up so easily.

E os casos intencionais? não existem mais? É 2018, mas infelizmente ainda existem casos que são deliberados. Geralmente sofri comentários assim mais por causa da cor da minha pele, minha nacionalidade, e menos porque eu era uma mulher. No início não falava nada, deixava tudo passar. Mas na verdade isso não acontece, não passa. Isso só continua acumulando, criando um monstro que bagunça e quebra o seu estado emocional. Quem acaba sofrendo é você. Me dei conta disso e comecei a falar. Quando acontecia algo que me deixava ofendida, eu falava na hora. Se a mensagem fosse ignorada ou desconsiderada, eu repetia. Não queria que outras pessoas passassem por isso. Não tinha o poder de mudar o sistema ou o mundo, mas tinha o poder de controlar a situação e mudar o pensamento de algumas pessoas. Tinha a vontade de não deixar uma outra pessoa como eu passar por momentos de se sentir feia, se sentir inferior. Isso já é um bom começo. É necessário. Cria uma onda de impacto maior do que um status update na sua rede social preferida. Tem um vídeo super inspirador, no qual a Chimamanda Ngozi Adichie, uma autora Nigeriana e uma mulher maravilhosa e superpoderosa, que me inspira a ser uma mulher melhor e criar um mundo diferente, mais igual”

– Você tem uma história que gostaria de contar?

“É uma história da minha infância. A minha mãe sempre trazia bolos para eu e o meu irmão nas sextas. Ela sempre deixava os bolos na mesa. O pedaço do bolo deixado para meu irmão sempre foi maior que o meu. Eu ficava chateada, pensava que a mãe amava o irmão mais que eu, achava que eu merecia mais que isso, mas nunca falava nada, só ficava lamentando a minha realidade. Depois de alguns meses, finalmente tive coragem de enfrentar a minha mãe. Resolvi falar com ela, e comecei reclamando já – porque ela oferecia mais bolo para o meu irmão? porque ela amava ele mais que eu? Ela ficou chocada e não falou nada por um minuto. Logo depois disso, ela disse – querida, eu deixo mais para ele porque ele pedia mais. Tu nunca falou nada para mim. Se tu queria mais, é só falar e pedir que a mãe traz mais para ti também!

Moral of the story – se você quer algo, você tem que pedi-lo, tem que procurá-lo. Quer melhores oportunidades? Mais responsabilidades? Mais benefícios? Uma vida diferente? Então se mexa. Faça algo diferente. Nunca acontece nada automaticamente só porque você merece. E não adianta ficar esperando para as coisas acontecerem magicamente. Às vezes, é algo pequeno como falar ou pedir. Já muda tudo”.

– Qual a ‘dica’ você daria para pessoas de “minorias”?

“Estamos vivendo num mundo que já está ciente que temos problemas na representação de diversidade, principalmente no mundo de tecnologia e dos negócios. Várias coisas começaram a mudar, mas o fato e a triste verdade de hoje é que homens ainda controlam e dominam o mundo. Casos nos quais mesmo tendo mais diversidade na faculdade, não tem representação suficiente no mundo business. Homens com um profile fit de 40% conseguem empregos e oportunidades que a “minoria” com mais de 80-90% profile fit não consegue. Casos no qual tem só 1 mulher em cada 10 homens que fazem parte da liderança C-level (e tem muitas organizações que isso já é suficiente para representar a diversidade). Casos no qual existem regras do jogo diferentes dependendo de seu gênero, sua raça, sua sexualidade, sua cor de pele … o core de quem você realmente é.

Tem dois argumentos para isso, o mundo tem que facilitar a vida das minorias, criando mais oportunidades, fazendo esforços em melhorar a situação. E, existe o outro lado do argumento que disse que as minorias devem lutar e correr atrás das oportunidades. Faça você mesmo!

Se vejo algo errado, pode ser um comentário do corredor ou pode ser um comentário por um outro líder numa reunião, mas se eu vejo (ou ouço) algo errado (preconceito, piada ou brincadeira que não é uma piada nem brincadeira), eu não fico quieta e falo na hora de maneira não agressiva. Se não fui levada a sério, eu repito de novo. Faço isso não somente nas situações que me envolvem, mas nas situações que envolvem outros. Você deve fazer isso também. Não aceite algo que você sabe que está errado. Não adianta reclamar sobre isso ou repetindo na sua mente que isso é injusto, que o sistema está contra você, o que importa é a ação que você tomou contra isso.

Como uma profissional sênior, eu foco em treinar os meus colegas e equipes em ser oportunistas – negociar mais, lutar pelas suas ideias e estratégias, se comunicar melhor, não desistir. Se você acha que você merece, peça. Se candidate para aquela posição de liderança. E isso será a minha dica para todos vocês que fazem parte de minorias. Você é um ótimo profissional, capaz de alcançar tudo que você quiser. Vá atrás de tudo que você quer. E não desista na primeira tentativa. Vá com tudo de novo. Never settle! Tem esse vídeo (8 minutos só), muito interessante, sobre auto-valorização, que gostaria de recomendar.

Como uma líder eu sempre procuro oportunidades para melhorar o cenário de diversidade, dentro e fora da empresa, fomentando oportunidades para ter conversas sobre diversidade, apoiando iniciativas que lutem por essa causa, não deixando este assunto só para o mês de Março ou Junho, mas continuando os esforços para o ano inteiro. E vou continuar até o dia que teremos tanta gente diversa nas equipes e liderança que isso já tenho virado um padrão. Um mundo igual não deve ser só um sonho ou um privilégio para poucos, mas um direito de nascença para todos.

E peço que você como uma líder faça isso também. Crie oportunidades e apoie iniciativas de diversidade. Deixem de pensar – qual seria o meu ganho nisso. Em vez disso, pensem como você pode fomentar uma cultura de ter soluções e ideias diferentes, tornando os seus times mais diversos. Diversidade abre a mente, melhora as perspectivas e cria um ambiente saudável e sustentável. Se isso requer que você invista seu tempo e seus esforços em algo que “não traz lucro”, vale a pena igual o investimento a longo prazo.

Tenho uma dica para os outros também, principalmente se você é um líder numa organização, que costuma dizer algo assim:

Lembre-se: só palavras bonitas não servem para nada, se não estão seguidas por ações apropriadas.

“Mas já temos uma mulher que é uma gerente!”
“Mas tenho 3 mulheres, 2 pessoas não-brancas, e 2 gays na minha equipe de 15 pessoas.”
“Mas eu aceito fazer entrevistas para todos os candidatos. Nunca tenho na mente se o candidato entrevistado é homem ou uma minoria. Só vejo o talento.”
“Mas eu apoio a diversidade. Eu torço por eles.”
“Mas eu sou feminista.”

Parem de dizer isso! As palavras em si não significam nada. São inúteis. O que você faz, de ação, para fomentar diversidade? Você realmente acredita que existe o problema e todos – maioria, minoria – tem que trabalhar juntos e resolver isso? Se você não acredita nisso, ou você não tem uma resposta, ou se a sua resposta é – não tenho tempo – então você não está torcendo por diversidade, nem apoiando diversidade. Parem de dizer algo no que você não acredita, algo que você não entende. Isso é ok, principalmente quando não é a sua realidade. Mas agora que você já sabe disso, vá procurar fontes para melhorar o seu entendimento da situação real, começam fazer mais esforços e realmente lutem pela diversidade. Pode ser algo básico como cutucar a minoria na sua equipe para se candidatar para posições de liderança. Citar exemplo ou história de um CEO homosexual inspirador. Admirar uma empresa fundada pelas mulheres. Contar analogias que vá além de esportes populares com os homens (exemplo do futebol), que vão fazer sentido para todos, um segmento de população maior que os fãs de esportes”

 

Letícia Medeiros

Letícia Medeiros

PO Sales na Umbler

@leticiamedeiros

– Como é ser lésbica e líder de uma grande equipe de uma empresa de tecnologia?

“Minha visão é que é bem normal. Na verdade, eu decidi trabalhar em empresas de tecnologia pelo fato de todos serem mais tranquilos em relação a diversidade. Quando eu digo que é normal, é algo extremamente positivo, porque é a mesma coisa que se eu não fosse gay, entende? não muda nada o fato de eu ser gay dentro da empresa e isso é excelente.

A questão de ser líder e gay já me traz um sentimento de obrigação para representar os gays, de certa forma. De realmente levantar a bandeira e ser uma referência quando alguém estiver passando por algum momento difícil”.

– Você já passou por situações constrangedoras no ambiente profissional?

Às vezes a gente cria uns grilos culturais e se surpreende que as coisas podem ser mais simples

“Eu faço questão (hoje em dia) de falar da minha orientação sexual para quem me contrata. Já tive problemas (que eu mesma criei por não falar logo de cara sobre ser gay) de precisar levar um amigo à um almoço, por exemplo, por achar que minha equipe não aceitaria o fato de eu ser gay. A partir daí (com muuuuuuuuita terapia) eu hoje faço questão de ser o que sou, sem dar chance para o outro me julgar por isso”.

– Você já sofreu preconceito de colegas de trabalho ou de chefes?

“Não que eu me lembre, sempre procurei trabalhar em ambientes com muita diversidade”.

– Você tem alguma história que gostaria de contar?

“Tenho. Lá em cima eu respondi que eu mesma criei problemas por não contar na empresa que eu trabalhava que eu sou gay. Acabei levando um amigo para um almoço e fingi que ele era meu namorado. Algum tempo depois eu me assumi na empresa e as pessoas da minha equipe já até sabiam que eu era e falaram: “sabíamos também que aquele menino não era seu namorado”. Aliás, me pediram para que na próxima festa eu levasse a minha VERDADEIRA namorada.

– Qual a ‘dica’ você daria para pessoas de “minorias”?

“Não pense que ser gay é feio e que não vão te aceitar. Você pode até não saber, mas a maioria já sabe que você é gay e te aceita como é. Muitas vezes só estão esperando o seu momento para “sair do armário”. Se precisar confidenciar algo, procure alguém da sua confiança (procure alguém que você confie mas que não seja preconceituoso, se não essa pessoa pode te influenciar de forma negativa). Não tem mal algum ser gay”.

 

Gustavo Sartori

Gustavo Sartori

PO Websites na Umbler

@gussartori

– Como é ser gay e líder de uma grande equipe de uma empresa de tecnologia?

“A Umbler foi a primeira empresa a me dar uma oportunidade como líder, isso graças ao seu empenho em difundir a diversidade, a minha transição de uma posição operacional para a de liderança ocorreu de forma sutil e natural. Aqui na Umbler eu tive a oportunidade de trabalhar com cada um dos membros do meu squad antes mesmo de ser líder deles. Todos sabem quem é o Sartori e o que ele sabe fazer bem. Acredito que por isso não enfrentei problemas de aceitação pelo resto do time.

De qualquer forma, ser gay no universo da tecnologia é um desafio constante. Na indústria da TI, que imaginamos ter um pensamento ‘prafrentéx’, ainda existem várias pessoas extremamente conservadoras. ​Entendo como funciona o cérebro desse povo: pensamento cartesiano, ou é, ou não é. O difícil de entender é por que demora tanto tanto para mudar a resistência de 1 para 0.

Para nossa sorte, muitas empresas dessa indústria estão investindo muitos esforços para mudar essa mentalidade. Ok, ainda vai demorar um pouco para que todas as empresas e profissionais do setor se deem conta de que não importa se você gosta de picolé de frutas ou de leite, o que importa mesmo é sua capacidade de se relacionar com as pessoas, entregar resultados e entender do negócio”.

– Você já passou por situações constrangedoras no ambiente profissional?

“Acho que toda vez que alguém me questiona sobre a minha esposa e eu respondo um “é marido”, rola um constrangimento (da parte da pessoa). Às vezes as pessoas acham que é piada, mas a cara que fazem quando entendem que é real é impagável”.

– Você sofreu preconceito de colegas de trabalho ou de chefes?

“Minha principal preocupação ao entrar em uma nova empresa sempre foi mostrar aos meus líderes e colegas todo o meu potencial. Nunca entendi a minha sexualidade como uma vantagem ou desvantagem, nem nunca usei ela como argumento, motivo ou desculpa para nada. Nunca achei que minha orientação sexual devesse ser posta a mesa e considerada no somatório dos meus resultados.

Isso não significa que eu esconda minha sexualidade, muito pelo contrário. Para mim isso está bem resolvido (e é público) desde meus 16 anos. Acontece que meu ‘estilo e comportamento’ não denunciam a minha orientação sexual e certamente por isso foi mais fácil para mim”.

– Você tem uma história que gostaria de contar?

“Por não fazer parte de nenhum de estereótipo, é muito difícil que alguém que não me conhece saber ‘de cara’ que sou gay. Já aconteceu um caso de um ex chefe vir até mim fazer comentários sobre um colega de trabalho que supostamente era gay. Tudo por que ele era super introvertido, conversava pouco com os outros colegas e raramente falava sobre mulheres. Nessa época da vida eu era bastante introvertido, inseguro e cheio de paranoias (terapia, te amo <3), por isso resolvi interceder pelo cara…

Parti em defesa dele, dizendo para o chefe que ele não poderia fazer esse tipo de julgamento apenas pela aparência e comportamento das pessoas, que mesmo que ele fosse gay isso não deveria ser motivo para valorizar ou desvalorizar o trabalho dele. O chefe ficou chocado com a minha reação, o que gerou um ‘climão’, mas tudo bem. Tentei me aproximar do tal colega, puxando assuntos variados e na tentativa de fazer ele se sentir confortável em se abrir pra mim, fiz meu outing para ele.

Momento plot twist: O cara na verdade era mórmon, extremamente homofóbico e ficou indignado por eu ser gay e estar querendo me aproximar dele. Uma semana depois ele pediu demissão”.

– Qual a ‘dica’ você daria para pessoas de “minorias”?

“O momento da descoberta para as pessoas LGBTQ é muito complicado por que elas precisam buscar a aceitação de todos, principalmente delas próprias (o que às vezes é o mais difícil). Por isso, apoie-se em quem aceita você como você é. Normalmente a família é a melhor opção, mas sei que nem todos têm a sorte que eu tive de ter uma mãe que me abraçou (mesmo chorando) e disse que estava tudo bem. ​Mas se você não tiver como, busque ajuda de profissionais. Existem milhares de psicólogos sério capazes de te ajudar a se encontrar e a se entender (nada a ver com cura gay!).

Eu sou da filosofia de que devemos ensinar pelo exemplo. Se você quer ser aceito, aceite as diferenças dos outros. Pratique ao máximo a sua empatia. Ganhe seu espaço e não deixe que ninguém te diga o que ou como você deve ser.

E, por fim, o mais importante: Confie em você! Sei que é complicado, a insegurança é um bichinho chato que fica martelando nossas cabeças, mas com um pouco de esforço (e terapia <3) dará tudo certo”.

 

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Jéssica Beltrame
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