Marta Marco Buyolo
Marta Marco Buyolo, Marketing Specialist Umbler

A Diversidade na TI: a história de Alan Turing

No dia 23 de junho celebramos o aniversário do nascimento de Alan Turing, cujo legado revolucionou o mundo da tecnologia e da ciência. Matemático, cientista de sistemas e criptógrafo, Turing é considerado o pai da computação moderna. Ele foi um gênio que dedicou a maior parte de sua vida para avançar suas pesquisas no campo da computação e inteligência artificial. No entanto, duras acusações contra ele mancharam sua história por décadas. Apenas em 2014, quando a Rainha Elizabeth da Inglaterra finalmente pronunciou o perdão público pelas infâmias as quais ele havia sido vítima nos últimos anos de sua vida, que Alan foi reconhecido por sua grande contribuição para o mundo da tecnologia e da ciência.

É por isso que queremos prestar-lhe uma pequena homenagem, lembrando o quanto sua pesquisa e progresso significaram. Vamos lá!

Eram os anos 30 e Turing tinha apenas vinte e poucos, quando propôs um modelo de computação algorítmica conhecida como “Máquina de Computação Lógica”, que mais tarde receberia o nome comum de Máquina de Turing. Um modelo matemático que consiste em um autômato capaz de implementar qualquer problema matemático expresso por meio de um algoritmo. Este sistema foi caracterizado pela sua simplicidade. E, além disso, já incluía software, que armazenava um programa dentro de um cartucho de memória.

Mas isso não é tudo. Turing também ajudou a terminar com a Segunda Guerra Mundial, planejando uma série de técnicas para quebrar os códigos alemães da máquina de criptografia alemã, a Enigma. Este sistema foi encarregado de decifrar as posições dos submarinos alemães através de um código de encriptação das mensagens e coordenadas. E não é só isso. Quando a guerra terminou, Turing tornou-se parte do serviço secreto de inteligência inglês, o M16, para quem ele construiu um sistema de computação automática, que permitia calcular cenários matemáticos completos.

No entanto, apesar de todas as suas invenções e extenso legado, Turing sofreu homofobia e foi condenado à castração química e tratamento hormonal. Naquela época, a homossexualidade era considerada um crime na Inglaterra e fortemente punida pela opinião pública. Em seus últimos anos, Turing escreveu a um amigo para falar com ele sobre sua preocupação, porque os ataques à sua imagem poderiam apagar seu raciocínio sobre inteligência artificial e computação. Alan acabou por cometer suicídio, em 1954, após anos de tratamento com hormônios, como forma alternativa à prisão.

Imagem do Filme O Jogo da Imitação, inspirando na história de Turing

Por que apostar da diversidade?

Muitas das grandes empresas do setor de tecnologia levaram sua política de inclusão e diversidade muito a sério. Gigantes como Google, Facebook, Microsoft, Pinterest ou Uber veem a diversidade e a inclusão como uma estratégia que promove um clima mais positivo e favorável no ambiente de trabalho, aumenta a produtividade e leva à inovação. Essas empresas já incorporam um Chief Diversity Officer (Diretor de Diversidade) para priorizar essas questões entre seus funcionários, sendo responsável por reforçar uma cultura de trabalho onde o respeito e a tolerância prevalecem entre todos os funcionários.

A razão para isso é simples. O mundo é diversificado e essas empresas globalizadas são voltadas para um público internacional. A diversidade deve estar na base de todos os negócios. E ainda mais, é o principal ingrediente para incentivar a criatividade e a inovação nas equipes. Os benefícios de contratar pessoas que representam a diversidade, como mulheres, negros, LGBTQs, índios e pessoas de etnias diferentes são imensos.

Se olharmos para o panorama da indústria de tecnologia, observamos muitos gênios que publicaram abertamente sua orientação sexual. Ao contrário de Alan Turing, eles vivem em uma sociedade que está aprendendo que a sexualidade de cada pessoa é irrelevante quando falamos de profissionalismo. Para isso, selecionamos os 5 representantes do setor que estão liderando essas mudanças.

  • Sara Sperling criou sua própria consultoria para assessorar empresas gigantes do setor de tecnologia na implementação de políticas e programas de diversidade que tenham impacto positivo nas empresas. Especializada em Diversidade e Cultura, ela ajudou empresas líderes como Facebook, Snapchat, Yahoo! e Quora, bem como outras empresas de prestígio no Silicon Valley. Em 2014, ela se tornou chefe de diversidade no Facebook. Além disso, ela foi uma das primeiras mulheres lésbicas a participar da primeira edição do Lesbians Who Tech Summit, um evento realizado todos os anos em várias cidades ao redor do mundo para dar visibilidade às mulheres lésbicas e trans do mundo da tecnologia.
  • Chris Hughes foi o companheiro de quarto de Mark Zuckerberg e um dos quatro co-fundadores do Facebook, que deixou a empresa em 2007 para se tornar o diretor on-line da primeira campanha eleitoral de Barack Obama. Seu ativismo em favor dos direitos humanos levou ele a fundar sua própria empresa em 2010, a Jumo, uma rede social que conecta usuários interessados em promover o bem social através do ativismo. Atualmente a rede está inativa. Hughes casou com seu namorado, o ativista Sean Eldridge em 2012. Eldridge era o diretor político do grupo Freedom to Marry, que defendia o reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
  • Megan Smith foi a vice-presidente e uma das principais gênios do Google, durante o qual ela desenvolveu iniciativas e projetos de diversidade dentro do gigante buscador, como “Women’s Techmakers do Google“. Em 2014 ela deixou a empresa para se juntar ao governo de Barack Obama como diretora de tecnologia. Após a mudança de governo, Smith tem se dedicado a apoiar diversas campanhas de diversidade no setor de tecnologia. Durante anos, ela foi casada com a jornalista de tecnologia Kara Swisher.
  • Tim Cook, o conhecido CEO da Apple, é um dos homens mais poderosos do setor de tecnologia, segundo a Forbes. Apesar de ser conhecido por ser um personagem reservado, ele reconheceu publicamente sua orientação sexual para falar sobre os direitos dos homossexuais e a discriminação a que são injustamente submetidos em ambientes de trabalho. Além disso, em 2013 ele escreveu uma carta aberta ao The Wall Street Journal para pedir ao Congresso que promulgassem uma lei para promover a igualdade de direitos entre os funcionários gays e lésbicas, protegendo-os de qualquer tipo de discriminação e favorecendo um melhor ambiente de trabalho nas organizações.
  • Jon Hall é o diretor executivo da Linux International, que divulgou sua orientação sexual no centésimo aniversário de Alan Turing, personalidade que o programador considera um herói. Segundo Hall, Turing contribuiu muito para o setor em que trabalha há décadas e que o levou, entre outros, a desenvolver o sistema operacional Linux. Apesar de seu grande legado para o setor de TI, Turing foi condenado à castração química, publicamente insultado e cuja imagem foi seriamente danificada, apesar de ser uma pessoa que vivia apenas por e para seu trabalho. Da mesma forma, Hall reconheceu ter esperado tanto tempo para divulgar sua orientação sexual por medo de que o Linux ou o Software Livre fossem prejudicados. Você pode encontrar a carta completa em inglês aqui.

Turing, Cook ou Hall são exemplos que devem servir para melhor avaliar o valor da diversidade e da criatividade individual na equipe de TI. Realmente importa a orientação sexual de cada um, o gênero ou a raça? Na Umbler, estamos completamente convencidos de que não. Precisamente, promover um ambiente de tolerância e respeito, onde todos os funcionários apoiam e ajudam uns aos outros, cria um clima positivo e favorável em qualquer empresa, na qual, finalmente, as pessoas trabalham melhor. E é disso que se trata. Para tornar nossas organizações lugares agradáveis de trabalho. Twitter, Google, Microsoft, Apple, Facebook ou IBM já adotaram benefícios LGBTQ para seus funcionários por meio de uma política antidiscriminação.

Que pequenas práticas você começou a implementar em sua empresa para incentivar a mudança? Deixe seus comentários.

Marta Marco Buyolo
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